Já é fato que a transformação digital dos negócios é assunto da ordem do dia para as empresas de qualquer setor, a questão é saber como e quando ela irá impactar o nosso setor de Revenda e Distribuição de Material Elétrico.

Embora essa transformação seja fato, ainda existem algumas resistências em acreditar nela, com a cresça de que a mudança do nosso mercado ainda irá acontecer em algum momento de um futuro distante.

No entanto esta mudança já está acontecendo, e mesmo que ela ainda se consolide em algum momento futuro, sabemos que a velocidades desse tipo de mudança é cada vez mais rápida, e empresas que ainda não começaram a se preparar para ela podem ser pegas de surpresa.

Lembremos das fotos digitais que fezeram desaparecer uma gigante como a Kodak, ou mais recentemente a tecnologia do streaming, que fez a Blockbuster desaparecer do mapa no período aproximado de 5 anos, a contar do momento de seu maior valor de mercado.

Estas empresas não desapareceram da noite para o dia, mas sim negaram que suas posições tão consolidadas pudessem ser ameaçadas e assim subestimaram a mudanças que já acontecia promovidas por estas novas tecnologias.

Um exemplo mais próximo ao nosso mercado, por estar relacionado à atividade de venda e distribuição é a Amazon, que desde quando surgiu transformou o mercado de revenda e distribuição de livro por meio do e-commerce e posteriormente o mercado editorial com os livros digitais e o kindle. Hoje a Amazon já realizou o sonho de seu fundador Jeff Besos ao ser ternar de fato a “loja de tudo”, pois junto com a chinesa Alibaba, dominam o mercado mundial de comércio eletrônico do mais diversos itens.

Domínio esse que já está dando as caras no Brasil e inclusive no setor de material elétrico, com compras pontuais de itens do nosso mercado, tais como lâmpadas e dispositivos, operando a partir de seu centro de distribuição na cidade de Cajamar na cidade de São Paulo.

Muito antes de tudo isso, nosso setor tem já tem passado por transformações digitais, que hoje permitem mais facilmente que empresas multinacionais com novas tecnologias, como a Amazon desembarquem por aqui.

A primeira delas aconteceu ainda na década de 90, pois com o fim da inflação, muitas empresas se viram obrigadas e reduzir seus gastos por meio de controle eletrônico de seus processos. Vivemos a era do ERP nas empresas de comércio e distribuição, momento em que se buscou soluções tecnológicas para controlar processos comerciais, financeiros e logísticos.

A segunda transformação digital de deu na primeira década do século XXI, com a digitalização fiscal. Nesse período os órgãos públicos da administração tributária e trabalhista passaram a realizar seus processos de fiscalização majoritariamente por meios eletrônicos. Surgiram então o Sped, Sintegra, dentre outros sistemas, que se transformaram em um verdadeiro “big brother” fiscal, onde todas as informações fornecidas eram cruzadas e analisadas eletronicamente.

Finalmente chegamos à terceira transformação digital, ainda em andamento, que acontece na troca de informações eletrônicas na cadeia de suprimentos, conectando fabricantes, distribuidores, revendas e clientes, que teve seu início nessa década  com o surgimento dos portais, tanto de fabricantes, quanto de fornecedores ou privados, como é o caso do Ariba e Mercado Eletrônico.

A ABREME tem monitorado e discutido o assunto, buscando orientar seus associados a traça seus planos para fazer frente a essas mudanças digitais, mas não no sentido de impedi-las, pois isso seria extremamente improdutivo, mas sim de promover a transformação do nosso mercado e assim tomar a frente desse processo de mudança ao invés de ser apenas um seguidor dessas tendências e de repente se ver engolido, como aconteceu com muitos pequenos e médios comércios e distribuidores dos EUA, a partir do surgimento da Amazon.

Texto escrito por Bruno Maranhão