A mão de obra no Brasil sempre foi considerada barata e abundante, será? Talvez essa realidade já tenha ficado para trás faz muito tempo.

O Brasil, em comparação com muitos outros países, inclusive com nosso vizinho a Argentina, teve seu processo de industrialização e migração do trabalho do campo para a cidade muito tarde, iniciado efetivamente por volta dos anos 50.

O crescimento das cidades e a mudança de uma economia exclusivamente agrária para uma economia mais diversificada trouxe alguns desafios que ainda não foram totalmente superados, tais como urbanização precária, violência urbana, trânsito, dentre outros.

Mas um destes desafios que afeta diretamente as empresas é, sem dúvida, o acesso à mão de obra qualificada.

O processo de industrialização

Uma economia basicamente agrária nos moldes tradicionais não exige muita qualificação. Já o processo industrial é caracterizado por aumentar a produtividade com o trabalho homem-máquina, e nesse contexto, na medida que a tecnologia avança, a necessidade de qualificação da mão de obra avança junto, chegando a níveis altíssimos se pensarmos em termos de Indústria 4.0.

Além disso, temos que ter em conta que o mundo se torna cada vez mais industrial, portanto, mais complexo pelo próprio avanço da ciência e da tecnologia. Até mesmo a agricultura foi industrializada, transformando-se na agroindústria.

A distribuição de material elétrico não é imune a esses efeitos, afinal somos parte de uma cadeia industrial, e se isso já não fosse motivo suficiente para o aumento dessa complexidade, a revenda e distribuição tem se tornado cada vez mais complexa por si só. Legislação tributária, logística, e-commerce, são só alguns exemplos dessa complexidade.

A qualificação profissional, ou falta dela.

Não por outro motivo, a falta de qualificação da mão de obra também tem se tornado um problema para nós, não importando se temos 5, 11 ou 13 milhões de desempregados no país, já que a maior parte desses trabalhadores não tem qualificação.

Ocorre que disputamos pelos profissionais qualificados que restam com uma infinidade de outras empresas de diversos mercados e setores, alguns mais atraentes de mais ricos que o nosso.

Este desfio pode ser superando de duas maneiras. Por meio de aumento de salários e benefícios, de forma a sermos economicamente mais interessante em relação a estes outros setores da economia, ou treinando e desenvolvendo internamente nas empresas a mão de obra da qual precisamos. A diferença entre estas é que a primeira é mais rápida e mais cara, enquanto a segunda é mais barata e mais demorada.

No caso da distribuição de material elétrico, nem sempre a margem de nossos negócios nos permite comprar e disputar com mercados maiores e mais lucrativos esta mão de obra. O que nos remete à importância cada vez mais de preparar nossas empresas para treinar e forma essa mão de obra, mas como esse caminho é mais longo, não podemos perder mais tempo nesse processo.

Palestras, wokshops, treinamentos internos e externos, e mais recentemente o ensino à distância por meio de plataformas EaD devem estar entre as prioridades das empresas e de qualquer empresário ou executivo do setor.

A ABREME se preocupa com estas questões e apoia acima de tudo a educação como um valor, não apenas para seus associados, mas para toda sua cadeia de suprimentos, pois só assim acreditamos ser capazes de gerar riqueza e bem-estar social em nosso país.