[Matéria divulgada no Espaço Abreme da Revista Potência]

 

A medida que o mundo vai estabilizando os casos de contágio e morte provocadas pelo Coronavírus, começamos a pensar: e agora, o que virá pela frente?

Mesmo que ainda não estejamos numa descendente dos casos, ou que a solução por meio de uma vacina ainda não seja realidade para os próximos meses, uma nova rotina da vida começa a se estabelecer, e assim, naturalmente, começamos a pensar em perspectivas para um futuro próximo.

A revenda e distribuição de material elétrico também faz seu balanço sobre os impactos da pandemia e, ainda que não sejam conclusivos, podemos dizer que foi menor do que a catástrofe que se esperava.

Muito se deve ao fato de sermos uma das atividades essenciais da economia. Tivemos perdas sem dúvida, mas muito menores que muitos outros setores.

Por outro lado, questões mais complexas começam a se apresentar para o período pós-pandemia.

Algumas já vinham acontecendo e apenas foram aceleradas. A transformação digital, devido à intensificação do e-commerce e a prática do home office são algumas delas.

De forma pioneira, a ABREME já vinha abordado essa questão, tanto que foi o tema do nosso primeiro Seminário ABREME, em maio de 2019, realizado na Legrand, em que palestrei sobre as quatro revoluções digitais do mercado de revenda e distribuição.

Resumindo o conteúdo da palestra neste dia, a primeira revolução foi na década de 1990, com o advento dos computadores pessoais e dos ERPs (Enterprise Resource Planning), a segunda ocorreu na primeira década deste século com os sistemas eletrônicos de fiscalização dos Estados e do Governo Federal, a terceira a partir de 2010 com a intensificação da troca eletrônica de dados na cadeia de distribuição, envolvendo nossos clientes e fornecedores, finalmente a revolução digital do e-commerce, que ganhou ainda mais força a partir deste ano.

Diante disto, podemos imaginar um mercado cada vez mais digital, adaptando-se a uma nova forma de trabalho remota, em que a sobrevivência e a competitividade das empresas estarão ligadas à sua capacidade de se transformar.

No entanto muito poucas empresas estão preparadas para essa transição, e esse é o maior desafio do nosso setor.

A dificuldade não está mais na tecnologia, ou no acesso a recursos para promover a inovação, mas principalmente na capacidade das empresas de saberem lidar as mudanças, e principalmente em conduzir seus processos de transformação.

O e-commerce por exemplo. Para ser efetivo precisa de uma estratégia de implantação clara e objetiva, caso contrário será apenas mais um site, dentre tantos outros, que ao invés de se tornar um importante canal de vendas, será apenas mais uma maneira de divulgar seus preços ao mercado, inclusive seus concorrentes.

Marketplaces, como Mercado Livre a Amazon, apresentam-se como um atalho, mas caso não façam parte dessa estratégia, apenas irão gerar muito trabalho, desgaste e pouco resultado.

Já o home office nos exige uma forma completamente nova de administração, que nos obriga a abandonar o estilo de liderança com base no comando e controle, para dar espaço à uma gestão ágil, baseada em metas e indicadores.

Por esses e outros motivos é que a ABREME ressalta o valor de se pensar nas mudanças como um processo, que irá acontecer a medida que a filosofia de gestão da empresa também tenha a oportunidade de se adaptar, pois só assim haverá o alinhamento entre as ações operacionais, táticas e estratégicas que a levarão verdadeiramente à  transformar digital.

E sua empresa, está prepara?!