Conforme combinamos na edição anterior desta coluna, seguimos com os protagonistas do processo de inovação, e neste mês traremos para nossa análise o papel do Consultor.

De forma geral, podemos categorizar o Consultor em três tipos distintos: o Especialista, o Generalista e o Facilitador.

O Consultor Especialista é o mais comum, é aquele que, via de regra, o Patrocinador (protagonista já definido anteriormente nesta coluna), busca primeiro quando percebe que tem um problema com o qual não sabe lidar.

Como a empresa é uma organização complexa, o desafio do Patrocinador em promover a inovação ou a transformação por meio de um Consultor Especialista está justamente em identificar qual a especialidade é necessária naquele momento.

Em organizações, a intervenção em cada departamento ou atividade gera consequências diretas em outras atividades ou departamentos, por exemplo, uma intervenção na área comercial pode afetar diretamente a área de produção, financeira, quando não de logística, recursos humanos ou manutenção.

A falta de uma análise sistêmica e holística leva muitas vezes à contratação de um Consultor Especialista, que quanto melhor fizer seu trabalho, maior será o impacto não planejado em outra atividade ou departamento, podendo ocasionar mais problemas que soluções.

Outra situação que se apresenta é a intervenção em determinada área, quando, na verdade, o problema a ser resolvido está em outra. É muito comum, por exemplo, uma empresa que está com problemas de rentabilidade recorrer à contratação de uma consultoria em vendas, quando, na verdade, deveria buscar uma consultoria especializada na área financeira, pois as vendas aumentarão, mas como o problema é financeiro, a baixa rentabilidade será agravada.

Não se quer dizer com isso que o Consultor Especialista não seja uma figura de extrema utilidade, certamente que é, mas sua aplicação sem um diagnóstico do quadro geral da empresa pode ser tornar um risco.

A segunda categoria é a de Consultor Generalista, que pode se apresentar de várias maneiras: consultor em gestão, consultor em estratégica, consultor em processos, mentor, conselheiro, coach, a assim vai.

Esta consultoria também pode ser muito útil, desde que se cumpra dois requisitos fundamentais, o consultor de fato ter capacidade para atuar como um consultor generalista, uma vez que isso demanda muito conhecimento e experiência em diversas áreas de gestão, e sua atividade não se torne operacional.

Muitas vezes um Consultor Especialista acaba sendo alçado à atividade de um Consultor Generalista, e como para quem é martelo, tudo vira prego, nesta situação todos os problemas passam a ser resolvidos por meio de uma especialidade, novamente causando mais problemas que soluções. É o caso clássico do consultor de TI.

Com o advento dos ERPs, praticamente todos os processos de uma empresa, ou ao menos os mais importantes, passaram a ser controlados por um sistema integrado. A partir daí, consultorias de TI se tornaram a fonte de solução de qualquer ordem de problema, como se a automatização de processos pudesse resolver tudo, quando, na verdade, ela é capaz apenas de controlar e agilizar processos, que se já eram ruins, poderão ser ainda piores.

O oposto também acontece, tornar um Consultor Generalista em um Especialista acaba por levá-lo a preencher lacunas operacionais, tornando a empresa dependente da Consultoria.

Exemplo comum são as consultorias de ISO 9000, cuja a função do consultor é implantar métodos de qualidade total e melhoria contínua, mas quanto mal implantados, torna a empresa dependente que o consultor realize este trabalho por tempo indeterminado, quando o que deveria fazer é desenvolver essa habilidade de gestão na empresa.

Essa situação passa a exigir do consultor generalista que se torne responsável pela gestão, pois a qualidade total e a melhoria contínua só acontecem na teoria, ou na véspera da auditoria.

Chegamos a terceira categoria de Consultor, o Facilitador. Embora as categorias anteriores sejam facilmente encontradas no mercado, esta foi criada especificamente em minha consultoria depois de alguns trabalhos de inovação e transformação em empresas tradicionais.

A inspiração de criar mais essa categoria veio após diversas aplicações das metodologias de Design Thinking e Design Sprint, que usam a figura do Facilitador, bem como das teorias sobre processo de consultoria do Prof. Edgar Shein do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

O Facilitador é um Consultor que possui uma base de conhecimento sólida, seja em estratégia, finanças, marketing ou até psicologia, mas difere do consultor especialista, porque atua de forma holística e sistêmica, mas não se confunde com o Consultor Generalista,  pois não é contratado para dar respostas e sim ajudar a empresa a encontrar soluções por meio de suas próprias capacidades e informações.

Cada uma das categorias cumpre com um objetivo específico, e do Facilitador vem da necessidade das empresas de mudar constantemente e cada vez mais rápido. Atualmente não se pode mais esperar que um consultor, seja Especialista ou Generalista, aprenda sobre o negócio, faça um diagnóstico para depois dizer o que a empresa deve fazer, ao invés disso, deve constantemente transformar seu conhecimento tácito em conhecimento explícito, e dessa forma ser capaz de aprender rapidamente, dando repostas rápida e adequadas aos desafios dos novos tempos.

O Facilitador, faz justamente isso, pois facilita que a própria empresa encontre as respostas por si mesma, aprendendo constantemente e sem a gerar uma relação de dependência com o Consultor.

A atividade de consultoria de forma geral sempre teve como fortaleza o conhecimento e a informação, mas a partir da era da internet uma empresa que seja capaz de aprender pode por si mesma encontrar suas soluções, e foi isso que deu espaço para o surgimento da categoria do Facilitador.

Ao fim, podemos concluir que no processo de inovação ou transformação de uma empresa, o segredo está em saber escolher corretamente entre cada uma dessas três categorias de Consultor.  Saber utilizar as habilidades de cada um dos tipos a favor do negócio.

Uma empresa que não busca exatamente inovações ou transformações, mas sim apenas realizar melhorias em determinada área ou departamento, deve buscar uma Consultoria Especializada.

Já uma empresa que sente que precisa se desenvolver, mas não sabe exatamente como, resolveria bem seu problema com uma Consultoria Generalista, pois se bem plicada, aumentará sua visão geral à cerca dos desafios a serem superados.

Mas caso o desafio seja de inovar, profissionalizar ou transformar digitalmente uma empresa, recomenda-se um Facilitador, que com os outros dois próximos protagonistas da inovação a serem analisados nesta coluna: o líder e o colaborador, irá definir a estratégia, planejar as ações e acompanhar a execução.