[Artigo publicado na seção Inovação na Prática da Revista Potência]

Divulgada pela reportagem do Valor Econômico do dia 10 de outubro de 2010, pesquisa da consultoria Alvarez & Marsal (A&M), revelou que das 374 companhias abertas pesquisadas no Brasil, 45% delas não geram valor.

Quando o assunto é crescimento do PIB, fala-se muito no governo, mas diante desses dados, acredito que há que se falar também do papel de nossas companhias em todos os esforços de nosso país para a retomada do crescimento.

Na mesma reportagem, identifico duas causas principais para que as empresas talvez não estejam contribuindo para esses esforços.

A primeira delas diz respeito a uma certa “receita de bolo” que nossas empresas criaram para enfrentar as diversas crises brasileiras.

Tradicionalmente sempre tivemos crises profundas e rápidas.

Ao observarmos os dados estatísticos da variação do PIB de 1961 a 2018, percebemos que pela primeira vez em nossa história vivemos uma crise menos profunda, mas prolongada.

Acostumados a crises profundas e curtas, nossas empresas já sabiam as medidas as serem aplicadas: posterga imposto, demitir e corta despesas e investimentos, até que a economia rapidamente nos anos seguintes volte a recuperara as perdas.

Desta forma, muitas de nossas empresas conseguiram superar as diversas crises e ao saírem dela, eram capazes de consolidar ainda mais o mercado, uma vez que parte da concorrência ficava pelo meio do caminho.

Mas com uma crise de características diametralmente opostas, esses métodos aplicados no primeiro ano, e sucessivamente, no segundo, terceiro e quarto ano, apenas fizeram com as empresas definhassem na esperança de um crescimento repentino que resolvesse todas as perdas anteriores, mas que até aqui ainda não aconteceu.

Assim, a primeira causa identificada é o fato de nossas empresas estarem enfrentando essa crise, como se fosse igual a todas as outras anteriores, mas neste caso, a crise é outra, e velhas receitas não funcionam mais.

A segunda causa se refere a nossa capacidade de gerar valor. Sabemos que a velocidade da transformação dos negócios hoje é exponencial e que modelos de negócios tradicionais por décadas podem desaparecer num par de anos. No entanto, ainda que tenhamos isso claro, a dificuldade das empresas em inovar é tamanha que mesmo com todos os recursos à disposição, tanto humanos quanto financeiros, não são suficientes diante da inércia e da resistência de suas culturas organizacionais.

A falta da capacidade de inovar faz com que nossas empesas tentem dar respostas antigas aos novos desafios.

Se somarmos a inércia das empresas, à grande velocidade das mudanças e a uma crise resiliente, encontramos as condições ideais para tantas empresas estarem em tal estado de vulnerabilidade diante das mudanças.